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Setembro 2010
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Eu preciso que deus volte a existir e que o rei reassuma o trono.
Esse excesso de liberdade individual não é tão gostoso para pessoas indecisas.

Link permanente 18.06.08 18:08:58 , by Babi Email , 54 visualizações, Barbaridades, 2 comentários »Envie um trackback »

meiacordada

Caiu um raio perto de casa durante a madrugada. Acordei desesperada, dei um pulo da cama. Olhei no relógio do celular: 02h09. E pensei: “OITO MINUTOS E VAMOS TODOS MORRER!!!". Não sei por que o susto que levei me deu a impressão de que a Terra acabara de sair de órbita. Num estado de sonambulismo consciente e inconsciência desperta, não gritei, não chorei. Não era certeza de que, só pelo planeta ter saído de órbita, todos morreríamos devorados por um buraco-negro recém-criado na implosão de um astro.

Deitei-me novamente, encolhida ao máximo, e dormi depois de 12 minutos. Estávamos todos vivos (todos naquele momento era constatado como eu mesma e não como a humanidade de modo geral), caiu um outro raio, meu cachorro enlouqueceu, e, tão perdido quanto eu ficara no primeiro estrondo, começou a andar pelos cômodos.

- Calma, o mundo está rodando ainda!

Meu desespero fez sentido. Não apenas pelo meu medo da morte, -sobre o qual nem penso mais a respeito por medo de crises existenciais,- mas porque morrer todo mundo junto é um pavor maior ainda. Tornarmo-nos-íamos poeira cósmica ao mesmo tempo e o legado deixado há séculos se perderia. Também se perderia o legado que acumulo para mim e que não queimo por crer que pode ser útil para algo no futuro.

Deixaria de existir futuro. E o passado seria então vão.

Link permanente 14.06.08 16:43:19 , by Babi Email , 42 visualizações, Barbaridades, Quê?!, 2 comentários »Envie um trackback »

Estou fazendo um curso essa semana na faculdade de introdução aos estudos do fascismo. Muito interessante, com um professor espirituoso. Embora não entenda muito dos personagens históricos envolvidos nas tramóias políticas do século XX (de repente me dou conta de que ele se aprofundou mais do que introduziu), tem sido uma maneira válida de me conectar à história contemporânea.

Devo ter visto mais episódios de “Os Simpsons” do que deveria ao longo da vida, porque, assim como os roteirista do desenho, começo com um assunto para chegar em outro absolutamente diferente. Certo, absolutamente foi um exagero, assim como achei exagero o comentário de uma aluna dizendo que as pessoas pobres e as ricas do país vivem em contextos diferentes. Contexto é o país, e os pobres existem e os ricos existem por dependência e relações entre si. Foi um erro lingüístico, mas me incomodou.

Saí da aula de introdução aos estudos do fascismo e minha carona já havia ido embora. Fui atravessar a rua para pegar o ônibus que me deixaria em casa depois de duas horas de trajeto (desejo, sinceramente, conseguir abstrair em algum momento do curso a relevância da distância). O celular tocou antes que eu chegasse na calçada oposta. Não morri atropelada, entretanto, por haver, no meio do caminho, uma ilha. Era minha mãe, dizendo que sairia dali a pouco do serviço e que, portanto, eu poderia esperá-la na faculdade. Voltei para o prédio.

E então, chegando ao clímax desse post, vi uma árvore. Num átimo de monogamia botânica, vi várias, mas reparei realmente em apenas uma. “Faz tempo que não subo numa árvore", pensei. (em seguida, lembrei-me de que subi no meu aniversário, relativizando a ampla conotação de tempo). Com muita habilidade, comparando-se a de um paquiderme, subi, de mochila nas costas. E fiquei lá, um tempão, tentando resgatar o ar bucólico enterrado na literatura após o movimento arcadista e na cidade de São Paulo desde o advento da indústria. Passou por ali um colega, até então desconhecido.
- Oi!
- Oi.
- Oi.
- Oi. - sim, foi esquisito dessa forma.
- Eu me assustei - ele disse. - Por que você está aí?
- Porque deu vontade e fazia tempo que eu queria subir numa árvore e achei que não seria difícil.
- Faz realmente muito tempo que não subo numa árvore. Muito tempo! Anos!
- Eu gosto.
- Eu te conheço, não?
- Sim, acho que fazemos uma aula juntos.
Ficamos conversando por alguns minutos. Com muita simpatia e bom-humor, mesmo quando o tema foi ‘reposição da aula de Brasil colonial no sábado de manhã’.

Enquanto tentava descobrir, por intervenção divina (porque o Google não estava presente), a razão das árvores descascarem, pensei que devo ser avessa a modos usuais de fazer amizades.

Link permanente 10.06.08 23:20:27 , by Babi Email , 66 visualizações, Barbaridades, 2 comentários »Envie um trackback »

"Patético" soa sincero

Sempre achei patéticas minhas tentativas de descrever-me. Acabo criando uns seres esquisitos ao invés de dizer o que sou. É que a Bárbara que sou após escrever já não se vê naquelas palavras.

Tenho compulsão por figuras de linguagem, que vão desde hipérboles a ironias. E o que as duas têm em comum? A semelhança com a mentira. É meu modo de mentir, exagerar, escrever. Escrevo por necessidade psíquica.

A descrição diz que sou uma futura historiadora. Pouco sei do futuro; sei de minhas vontades. Já escolhi mentalmente minhas matérias do próximo semestre e só preciso esperar que o Sistema Jupiter colabore (Sistema Jupiter é o modo de retomarmos os sacrifícios humanos no continente, em troca de decisões acadêmicas, oferecido pela minha universidade). Decidi pegar aula de metodologia com uma professora picareta, novamente. É como consigo adiantar a vida e escrever com mais freqüência e quase com alguma dignidade. Sem dizer que posso acabar saindo mais cedo da aula para ver o futebol.

Link permanente 08.06.08 15:11:19 , by Babi Email , 40 visualizações, Barbaridades, 1 comentário »Envie um trackback »

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