Vai começar de novo...

Eis um espaço merecido.
É claro que as situações mais escabrosas possíveis assolam aqueles que resolvem compartilhar suas reflexões com a mediocridade humana.
Porém, sempre é bom ter um espacinho para discussões.
É claro que todos estão convidados (alguns devidamente convocados) a utilizarem este espaço da melhor maneira possível.
Com o tempo estarei disponibilizando maiores informações e as regras de funcionamento, os estatutos e todo o resto para a boa utilização deste site (ó, já nem é mais um blog). Os amigos de outrora poderão trocar suas farpinhas, lavar a roupa suja ou até mesmo relembrar situações que deixaram saudades em épocas remotas a partir do Fórum.
Como utilizar o fórum? Fácil… é só clicar ali do lado em cima de “Fórum do Diário", você faz um registro, me garante que tem mais do que 13 anos e já pode começar a colocar suas questões para o debate além de convidar os amigos. Rusgas e picuinhas particulares devem ser resolvidas através da caixa de mensagens disponível naquele ambiente, caso contrário coloco o transgressor para fora imediatamente.
O Fórum já está aberto…
agora vou trabalhar que tenho muito o que fazer… vocês já podem até começar a brincar…

Beijo grande.

por Fransmar
04.06.08. 18:56:26. 219 palavras, 228 visualizações. Categorias: Causos de Família - Reflexões Pessoais , 2 comentários »Envie um trackback »

Cerveja e Serigüela...

Cerveja e Seriguela…

Para quem não sabe, sou filho de um cearense e, considerando esta configuração genética (é… o Ceará é uma configuração genética ) tenho parentes espalhados por lá, desde Quixeramobim até Fortaleza, embora alguns digam que minha família tem origem mesmo é para os lados de Capistrano e Aracati.

Mas, vamos ao que interessa….

Estava eu aqui, em meu escritório, lendo a "Summae Totius Logicae" de Guilherme de Ockham, tentando escrever um artigo sobre o livre-arbítrio no pensamento franciscano (que eu tenho que entregar até o dia 30 de maio) quando recebo um telefonema minimamente inusitado.

Me liga um primo do Ceará.
Como todo o resto da família, salvo "Seu" Dedé ( Paizinho, me arruma "déiz" ) e dona Laurieta (esta última atende também pela alcunha de "mãezinha" ), o Ricardo é um "fuleragem" de primeira linha. O bicho é mais sacana do que coelho trancado em baia… é pior que nota de R$ 1,00… todo mundo conhece mas não vale porra nenhuma. Pois bem, após ter identificado devidamente meu interlocutor, pensei que a ligação tivesse um motivo sério, que alguma coisa grave ocorrera "praqueles lados do meu sertão"… Mas não.
O picareta me liga para me fazer passar vontade, uma vez que a temperatura em São Paulo era de aproximadamente 14 graus. A única informação que ele queria me dar era de que estava sentado na "Tia Silvia" (um boteco de qualidade duvidosa que fica próximo à rodoviária, porém extremamente agradável se estiver em boa companhia), comendo seriguela com cerveja.
Imaginem os atenienses quantos elogios me passaram pela cabeça para dirigir à feliz genitora de tal fanfarrão. Eu aqui trabalhando como um retardado e o retardado lá tomando cerveja com seriguela enquanto toma sol… vá pra p…………….. Ô inveja….

P.S. - Ô Zé Carlos… sua madrinha falou que vai te mandar "aquele" R$1,00.
P.S.2. - Beijo pra você também Lailinha… saudades de todo mundo.
P.S.3 - Regina, Silvia, Cleide… um "chêro".
P.S.4. - Ilana minha filha… adorei a qualificação do seu doutorado. Pena que não deixaram você se defender.

 

por Fransmar
12.05.08. 14:45:01. 436 palavras, 249 visualizações. Categorias: Causos de Família - Reflexões Pessoais , Deixe seu comentário »Envie um trackback »

Não tem preço...

Algumas coisas na vida efetivamente não tem preço.

Cheiro de infância, cheiro de chuva, terra molhada, banho de mangueira, pé no chão, cair de árvore, goiaba bichada, fisgar o primeiro pintado, lavar o carro com o pai, se esticar como um desgraçado para pegar a última manga do pé na temporada e quando você consegue pegar a danada, tá podre.
São recordações como estas, que apesar de parecerem ingênuas, inocentes e esdrúxulas, dão um certo ar de graça à vida.
Mas os atenienses talvez se perguntem: "Estará nosso mestre em um momento saudosista?"

Ao que respondo: "SIM".

Meu irmão comprou um carro. É o primeiro carro dele e, por ser o primeiro já tem uma graça especial. A diferença toda está em que o referido frater teve culhão e coragem para fazer o que todos queríamos e não tivemos coragem. Ele comprou um FUSCA 62… Lindo… Lindo… Lindo…

Que deverá ser batizado com todas as honrarias e as garrafas de champagne que lhe são de direito em data a ser definida pela fraternidade.
Acabei de chegar da agência de veículos onde a tartaruguinha estava… A briga foi para ver quem viria no fusca e quem voltaria em um ultrapassado e sem graça Siena 2006. Todo mundo queria vir no fusca.
Parabéns André.. bela aquisição. Que ele te dê muitas alegrias e que você não manche nunca seus bancos de couro falso creme com elementos oriundos de momentos estéticos de avassaladora tensão dionisíaca. Nunca coloque os pés no banco e não se esqueça de sempre polir o volante. Afinal de contas, ele é todo original.

P.S. - É claro que o Rubens, um irmão que minha mãe achou no palito do picolé em uma promoção, já fez o favor de inebriar o ambiente interno do referido "Carro do Povo" com suas nefastas emissões de ares flatulentos.

P.S. 2 - A besta do André esqueceu apenas um insignificante detalhe em seu devaneio poético popular automobilístico. Ele não tem carteira de habilitação.
Eis o referido automóvel, com seu feliz proprietário, em todo o seu esplendor.

por Fransmar
10.05.08. 14:32:37. 447 palavras, 150 visualizações. Categorias: Causos de Família - Reflexões Pessoais , Deixe seu comentário »Envie um trackback »

O Homem do Polichinelo

Sim atenienses,
Sigo firmemente em meu propósito de narrar nesta página as mais belas pérolas da literatura popular brasileira. Muitas eu já poderia descrever aqui mas, sinto-me no dever de resgatar alguns clássicos. É claro que aquelas pérolas meramente ortográficas, como o sujeito que colocou na prova que "todo homem é um ‘cerumano’", não merecem tanta atenção quanto as maravilhosas glosas que ocorrem por mero descuido do espírito humano. É nessas que me deterei com maior atenção.
No final do ano passado, ofereci um curso de estética e filosofia da arte objetivando lapidar o senso artístico de meus alunos. Em uma dessas aulas, lembro de expor algumas telas clássicas e afrescos como a "Mona Lisa", a "Ressurreição" do Rafaello, um ou outro Boticelli, algumas esculturas do período Clássico da Grécia e então, fiz uma alusão à perfeição simétrica da anatomia humana que era considerada a perfeita idéia de beleza; principalmente para os renascentistas. Citei alguns desenhos e rascunhos do Léo (Leonardo Da Vinci, para quem não tem intimidade) que esboçavam simplesmente traços humanos visando o aperfeiçoamento de suas proporções.
Foi neste momento, que um ser brilhante teve uma iluminada idéia e, lembrando-se vagamente de um desenho que ele reconhecera no ermo de sua lembrança, proferiu a fatídica sentença: "Como aquele cara do polichinelo?"

??? 

Milhares de interrogações me assolaram no momento, busquei visualizar o que eu conhecia dos desenhos do Léo, mas nada me lembrava o "cara do polichinelo". Tomado pela angústia e sentindo que deveria ficar calado pois algumas observações não devem ser esclarecidas sob pena de sérios danos à sanidade de quem questiona, percebi que boa coisa não sairia daquele sofisticado diálogo. Porém não me aguentei "nas bombachas" (como diria o Analista de Bagé ) e soltei: "Qual cara do Polichinelo?".
O semblante de meu aluno iluminou-se… tornou-se radiante. Assolado pelo efeito de dúvida que havia plantado em minha mente, imagino o quão satisfeito o distinto ficou ao perceber minha perplexidade (com aquela cara de "peguei ele" ), levantar-se da cadeira e abrir braços e pernas para fazer o movimento típico de um polichinelo.

Tudo estava esclarecido. Ele se referia ao "Homem Vitruviano", de Da Vinci.
Eis o "Homem do Polichinelo".

Agora me fala se eu mereço?
Pior do que esta só o cara do "Suriname"… mas essa é outra estória

por Fransmar
08.05.08. 14:19:15. 509 palavras, 229 visualizações. Categorias: Causos de Família - Reflexões Pessoais , Deixe seu comentário »Envie um trackback »

Cerimônia de Formatura

Nos idos de 2005, por volta do mês de julho, participei com prazer da cerimônia de colação de grau do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, com fins de oferecer algum prestígio à minha querida amiga Vivien Hilal, que na ocasião além do “canudo” (?) recebeu a condecoração de “membro iniciático” da F.O.D.A.: (Fraternidade da Ordem Dionisíaca de Aedos) outorgada por seus Grãos Mestres e deliberada em reunião extraordinária ocorrida no ato. Após ter bebido da “água batismal”, extraída das entranhas da terra de Minas Gerais (precisamente na cidade de Salinas), a partir da moagem da cana-de-açúcar e purificada em processo de destilação, a iniciada ouviu do Grão-Mestre A.R.M (o nome mantém-se oculto, afinal de contas somos uma Fraternidade Secreta) a sabia sentença: “É melhor limpar por dentro do que por fora”.
Se resgato estes fatos após tanto tempo, é porque me senti motivado a anotar alguns “desaforismos” proferidos em discursos de docentes e discentes. Mas antes, permitam-me atenienses, uma pequena introdução. Não vos amotineis!
Há anos observo um grande amigo, íntegro e inteligente, de nome Collez, que só não é mais virtuoso por ser presbiteriano mas, o fato é que este amigo traz sempre consigo um bloquinho acompanhado de ao menos quatro canetas “BICs” (o acaso é uma realidade, já dizia Camus), com a pérfida intenção de anotar todos os desaforos que sejam proferidos ao seu redor. Imaginem quanta coisa minha deve haver nestes malgrados escritos. Pois bem, ao ouvir o primeiro “desaforismo” proferido na referida cerimônia, lembrei-me do Collez e saquei de minha esferográfica, quando percebi (para meu desespero) que não possuía a mão, um bloquinho. O jeito foi anotar na mão mesmo.
Minha primeira observação deu-se por conta de uma afirmação no mínimo curiosa. O orador do período matutino, cujo nome fiz questão de esquecer por motivos de piedade proferiu: “Todos nós possuímos uma alma humana”. IMPRESSIONANTE! Há XXVI séculos que a filosofia busca, sem sucesso, delimitar a alma ou estabelecer um conceito, sem nunca ter chegado a um acordo e, do nada, (Cf. HEIDEGGER, Martin O que é Metafísica) surge um arquiteto recém-formado que já a estabelece como categoria! Como é possível tamanha verdade ter sido ocultada do mundo por tanto tempo? É claro que não só os homens possuem alma, o que é evidente pela afirmação contundente de que, se há uma “alma humana”, também deve existir uma alma para os lemingües, ornitorrincos, brócolis e couves-flor. Sem falar das chicórias. Como eu nunca percebi que as chicórias possuíam uma alma?
Na seqüência de seu discurso, o orador agradece aos “pais e responsáveis”. É claro que um sujeito que percebe a existência da alma na chicória deve ter um responsável, mesmo que já tenha atingido a maioridade legal. No momento me pareceu que ele havia retirado seus agradecimentos de uma ficha de matrícula do Ensino Fundamental, mas minha ignorância estava me induzindo a incorrer em uma monstruosa desgraça intelectual. Ainda bem que meus responsáveis me alertaram para tal fato.
No discurso do professor paraninfo, o comentário não se afastou muito disto. Disse ele: “Vocês não nasceram arquitetos, nasceram seres humanos”. Ainda bem. Se nasceram seres humanos (afirmação da qual duvidei no momento mas, meus responsáveis mais uma vez me chamaram à razão), quer dizer que possuem uma “alma humana”, e assim, o Mackenzie não outorgou o título de bacharel em arquitetura e urbanismo a nenhum lemingüe. Os alunos são espelhos de seus mestres. Já identifiquei de onde proveio a sabedoria do neo-bacharel.
Surpreendente mesmo foi o orador do período vespertino. Lá pelas tantas, o sujeito me faz um pedido aos ouvintes (que a esta altura só não gargalhavam às soltas porque talvez não estivessem entendendo nada ou estavam emocionados demais para isto); “Permitam-me contar uma piada mas, por favor, não riam.” Todos riram. Pensei comigo mesmo: “Se é para não rir, porque o sujeito vai contar uma piada ? Outra piada ? O discurso já não era uma ?” Pela terceira vez, meus responsáveis me tranqüilizaram com um enfático: “ Te segura… te segura…. Sossega…”.
A dita anedota era mais ou menos a seguinte: “Uma certa componente da realeza (cujo nome omitiremos em conta da crueldade sofrida e, se caso eu venha a pronunciar, da crueldade que irei sofrer pelas mãos de uma pessoa muito querida que adora a referida personagem) desejava ir ao baile no castelo, mas não lhe seria conveniente pois estava “naqueles dias”. Suas roupas íntimas estavam mais vermelhas que a antiga bandeira da URSS. Sua fada madrinha, sempre solicita, transformou então uma abóbora (girimum para aqueles que não estão familiarizados) em um delicado absorvente interno. À meia noite, a singela garota veio à óbito.” Moral da estória: a) nunca acreditem em fadas madrinhas; b) nunca espere as doze badaladas noturnas, pode ser tarde demais.
Realmente. A partir do momento em que eu esperei para ouvir o final desta piada (da qual não ri, atendendo ao pedido do jovem arquiteto) foi tarde demais. Para garantir minha sanidade, saí do auditório até que ouvisse a chamada dos nomes iniciados pela letra V. Afinal de contas, amigos são para todos os momentos, por mais escabrosos que estes nos pareçam.

por Fransmar
03.05.08. 14:15:43. 931 palavras, 1335 visualizações. Categorias: Causos de Família - Reflexões Pessoais , 1 comentário »Envie um trackback »

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