O que é PREÇA?
Impressionante.
Após o episódio da Kombi, narrado logo abaixo, fui convocado apressadamente para socorrer minha irmãzinha querida em um de seus “aperreios”.
Os aluninhos de minha irmã, professora de artes no ensino fundamental, dançariam uma quadrilha e a desmantelada esqueceu CD e câmera fotográfica por aqui.
Não seria nenhum problema levar tal material para ela em seu local de trabalho salvo se, este não fosse em um morro da periferia “bem periferia” de São Paulo, em um daqueles lugares em que eu não recomendaria ao bandido da luz vermelha sair para passear às 19h. Mas, em plena luz do dia, me aventurei.
Cheguei ao local sem maiores problemas e, no caminho de volta, parou à minha frente, em um farol, um automóvel Gol mais sujo que o largo do Paissandu em dia de festa popular, com os vidros totalmente cobertos de terra – capaz de encher uma girica – que algum protestante fanático resolveu deixar ali sua mensagem redentora.
Mais uma vez fotografei mas, dirigindo, tentando trocar de marcha e fotografando com o celular, me parece que a coisa ficou meio ilegível. De qualquer forma, vai a foto.

A mensagem era esta:
JESU (sic) TE AMA
VOLTE JA
DE PREÇA
Bom. Ser amado por alguém sempre é bom né? Ainda mais por tão ilustre personalidade, e isto definitivamente mostra que, ao menos religiosamente, nosso mensageiro “dividro” (entenderam o trocadilho..??? divino.. dividro… ã .. ã..? ) estava cheio de boas intenções.
O problema é ter que voltar imediatamente, e como se isto não fosse suficiente, de preça. Mas o que é preça? Ando meio por fora da moda ultimamente. Não sei quais são as últimas tendências e, pelo que me lembro, a última novidade da qual me recordo em questões de vestimenta era um tal de “tomara-que-caia”.
Já usei terno, camisa, túnica, batina, camisa clerical, beca, e até girassol na lapela, mas não me lembro de ter ouvido ninguém falar de que usa preça.
O que será preça ?
Talvez não seja uma peça de vestuário. Seja um meio de transporte.
- Você vai ao teatro hoje?
- Vou…
- Vai de carro?
- Não, vou de preça
Ou ainda:
- Vamos trabalhar de metrô ou ônibus?
- Ahhh… estou meio cansado. Vamos de preça?
Estou pensando outras possibilidades mas, no momento nada me ocorre. Portanto me ajudem.
Caso alguém saiba o que é preça, explique a este pobre ignorante. Pode ser até por meio de desenhos, ou qualquer coisa que o valha.
De qualquer forma, de preça ou sem preça, já que Ele quer que você volte já, é melhor ir rapidinho.
05.07.08. 15:34:53. 459 palavras, 5054 visualizações. Categorias: Causos de Família - Reflexões Pessoais , 7 comentários » • Envie um trackback »
Odeio Kombi
As vezes tenho a impressão de que me regozijo com a tragédia alheia.
Para quem não sabe, tenho um carro com motor 1.0, e muitas vezes morro de inveja do meu irmão que tem um Astra com motor 2.0.
Como o carro dele anda muito, penso que estou atrapalhando o trânsito porque o meu demora um pouquinho para ganhar velocidade.
Outra coisa que me deixa “avexado” é a correria habitual da vida de qualquer trabalhador brasileiro. Sempre apressados, vivemos correndo de lá para cá, a beira de um surto psicótico (vocês assistiram “Um dia de Fúria")e nem sempre encontramos as vias trafegáveis livre como desejaríamos. As vezes não pelos motivos adequados como neste caso.
Exceto situações de emergência, normalmente ficamos presos nos engarrafamentos peculiares às grande metrópoles o que nos causa certos atrasos em situações geradoras de prejuízos profissionais e, consequentemente financeiros.
Estava eu trafegando tranquilamente esta semana pela Av. Engenheiro Caetano Alvares, onde o trânsito até flui razoavelmente em virtude das 3 pistas disponíveis, sendo possível atingir-se até 70km horários. Fazendo a conversão à esquerda, na Av. Imirim, deparo-me com uma cena de certa forma rara. O trânsito estava livre, mesmo com o afunilamento das pistas.
Para os que não conhecem, a Av. Imirim possui duas pistas, a da direita é praticamente congestionada em virtude do grande número de coletivos que por ali trafegam, enquanto que a da esquerda permite aos veículos de passeio andem com um pouco mais de velocidade.
Em certo ponto, as duas pistas convergem para uma só, o que torna o trânsito caótico misturando ônibus, vans e lotações, carros de passeio, motoqueiros violentos, taxistas esquizofrênicos e, para minha surpresa, peruas Kombi.
Neste dia, miraculosamente não haviam ônibus, vans ou taxistas. Poucos motoqueiros ensandecidos tentavam o suicídio cruzando a frente dos carros de passeio. A alguns metros, logo à frente, uma perua Kombi, e à frente da Kombi, absolutamente nada.
Via-se a pista livre… vazia… tranquila e serena. Pensei comigo: Beleza. Vou chegar no horário.
Mero engodo. Quando me aproximei da maldita Kombi, pude observar a seguinte inscrição, como prova a foto(não riam, se deu tempo para fotografar, vocês podem imaginar quanto tempo ela demorou para sair da pista única).

E realmente não andava. A maldita lataria conseguia mantar uma regularida impressionante em não menos impressinantes “sempre vinte” kilometros por hora. Considerando que a pista em sentido adverso estava tomada por veículos de todos os gêneros, uma ultrapassagem rápida pela contramão também estava fora de questão.
Por um lado isto explicava o trânsito livre à frente da Kombi. Por outro, me atrasou um tempão, já que aquela merda não andava.
Eu buzinei, coloquei o carro de lado, dei sinal de luz, fiz o cacete para avisar o cara que ele estava atrapalhando o trânsito e o máximo de resposta que obtive foi uma mãozinha pra fora fazendo um sinal de “desculpa, mas vou fazer o quê?".
Pensei em parar para tomar um café, porém, minhas aulas de física no ensino médio formularam rapidamente um cálculo em minha mente que, independente do resultado numérico, me levou à conclusão de que o trânsito estaria infernal atrás da Kombi, que a esta altura já estava mais parecida com uma carroça.
O curioso é que, quando finalmente consegui ultrapassar a dita cuja, não fui capaz de reparar nos cavalos que puxavam aquela lataria.
Pasmen senhores! Eu vi uma carroça sem cavalos.
01.07.08. 14:00:50. 612 palavras, 402 visualizações. Categorias: Críticas Mundanas e Situações Inusitadas , 4 comentários » • Envie um trackback »
Férias Inteligentes
É comum, com a chegada das férias escolares, que os periódicos informativos sugiram livros, filmes e espetáculos teatrais para aqueles que, dotados de um QI pouquinha coisa maior que o comum, possam tirar férias consideradas como inteligentes.
Em sua grande obra “O segundo diário mínimo”, Umberto Eco recomenda uma série de livros verdadeiramente inteligentes porém, a maior parte encontra o problema de disponibilidade nas grandes livrarias, como é o caso das “Obras Completas” de Petrarca, em latim (segundo Eco, a obra perde seu sabor caso não seja apreciada na língua original), que recentemente vêm perdendo espaço para títulos de auto-ajuda de maneira que não há interesse das editoras em um republicação.
O que me preocupa neste instante, não é o que se lê nas férias, mas como podemos encontrar alguma coisa minimamente inteligente entre todos os livros que nos prometem sucesso profissional, felicidade, realização íntima e a clássica explicação do porque os homens fazem sexo e as mulheres fazem amor.
É claro que, pedir uma pessoa comum (daquelas que têm meia dúzia de romances policiais e uma enciclopédia em fascículos na estante) que leia o “Mal estar da civilização” é um pouco de exagero mas, temos obras tão grandiosas que o fato de não encontrar obras de Kafka, Dostoievski e Dumas nas prateleiras (e aqueles que estão familiarizados com estes autores sabem do que estou falando) me provoca “náuseas” (ver o texto homônimo de J.P. Sartre, simplesmente fantástico) só de pensar que vou ouvir o atendente proferindo a famosa frase: “no momento não tenho na loja mas posso encomendar, o prazo de entrega é de dez dias”.
Os senhores devem estar se perguntando o que há demais em se aguardar meros dez dias para desfrutar dos prazeres de uma leitura inteligente. O problema todo é que, em dez dias, já se passaram um terço das minhas férias (para não falar na quase totalidade do recesso como funcionário público) e então serei obrigado a ler durante o meu período regulamentar de trabalho, onde já tenho muitos títulos para ler com o agravante de que todos são voltados para questões um pouco mais complicadas acerca da mediocridade humana.
Como posso refletir sobre a mediocridade humana se estou me tornando cada vez mais medíocre por não conseguir ler um texto minimamente inteligente no meu período de férias?
O jeito é ir pescar.
30.06.08. 13:22:24. 428 palavras, 254 visualizações. Categorias: Causos de Família - Reflexões Pessoais , 2 comentários » • Envie um trackback »
Exceções - A Regra é Clara...
Arnaldo César Coelho, ex-árbitro e atual comentarista esportivo vêm, a alguns anos, induzindo a mentalidade dos brasileiros que tem por hábito assistir à partidas de futebol nas tardes de domingo com a famigerada sentença: A regra é clara.
Esta frase, corre a boca pequena, só não é superada em conteúdo filosófico pelas pérolas de seus colegas de profissão e companheiros de transmissão Galvão Bueno (que durante o GP de Mônaco de 2005 afirmou que a reta dos boxes era curva, sem contar as inúmeras vezes em que convidou os telespectadores a assistirem, após o amistoso da seleção a um capítulo “inédito” de “Vale a pena ver de novo”, nos áureos tempos da rede globo”), e o ex-comentarista e corinthiano, premiado com o “Canudo de Ouro” e troféu “Nariz de Ferro” em 2007, Walter Casagrande, que não cansa de profanar proferir a sentença de que “o jogo só acaba quando termina e ganhará quem fizer mais gols”.
Dizem os incautos que “toda regra tem exceção”, o torna-se imediatamente uma antítese do pensamento deste douto futebolista, e é justamente nesta parte que eu fico extremamente irritado.
Não dá para fazer um mundo só de regras, ou só de exceções? Ficaria tão simples.
Minha última irritação deu-se justamente por motivos esportivos.
Ultimamente tenho me inclinado à pratica esportiva, mais precisamente, tenho jogado tênis; conforme as exigências da neta de D. Izolina que não quer ver seu namorado rolando ladeira abaixo (literalmente) ao tropeçar no portão de sua casa, sob pena de ser confundido com uma bolinha pelo Ruffos (é… eu já falei pra Ana que o nome do cachorro dela tem certa semelhança semântica com nome de batata frita, mas ela nem ligou) e ainda tomar umas mordidas.
Dias passados, fui para um congresso de filosofia em um Hotel bastante conceituado, especializado em simpósios, treinamentos e convenções e, bastante animado com o site do hotel que dizia “Quadras, Piscinas e Saunas – 24 horas” parti para tal atividade intelectual munido de minhas raquetes e bolinhas.
Todos sabem que parceiros é o que não falta, mesmo que sejam aqueles que não tem nenhuma intimidade até mesmo com a mesa de ping-pong ( e não estou falando do tênis de mesa, que bem jogado proporciona até algumas emoções, mas do ping-pong mesmo).
Findo o primeiro dia do congresso, encontro um professor da magnânima megalópole que é Santa Adélia, no interior paulista, e que aceitou o meu convite demonstrando desde o início a destreza supra citada.
Quando chegamos na quadra, reparamos na seguinte placa (é… fotografei a placa. Se contar ninguém vai acreditar mesmo… )

Alguém pode me explicar isto?
É uma regra, ou uma exceção?
Tentando argumentar com o gerente do hotel, este me explicou que “Normas são normas!”, o que me fez relembrar imediatamente aquele juiz de futebol que fala besteira na televisão.
Liguei para um amigo advogado e expliquei a situação. Após aguardar uns 15 minutos até ele parar de rir, o magistrado me explicou que seria possível um processo por “propaganda enganosa” mas, não era viável uma vez que havia no local uma placa de advertência e minha foto tornava-se então, prova suficiente da inocência dos administradores.
Isto explica o motivo pelo qual me afasto dos advogados, das placas, das regras e das exceções. Não se pode confiar em nenhum deles.
No terceiro dia de congresso, ainda indignado com a situação, proferi minha comunicação acerca do “Ócio construtivo na obra de Domenico de Masi”, o que me fez explanar, em circunstante improviso, sobre a forma que a sociedade contemporânea aniquila os desejos do ócio induzindo ao trabalho até mesmo durante os congressos científicos. Prometendo momentos de lazer e a possibilidade de desfrute de toda a estrutura do hotel, permanecemos trancados em um auditório até as 17h e quando vamos para a quadra de tênis, que ficou aberta o dia todo para as moscas, ela está fechada.
Solenemente comuniquei ainda que não estaria presente na convenção do dia seguinte pois queria desfrutar um pouco das piscinas e jogar tênis.
Pronto. Estava armada a revolução.
As piscinas estavam cheias. As quadras lotadas. O palestrante conversava com os garçons.
Eu fui para o quarto ler um livro. Definitivamente perdi a vontade.
27.06.08. 10:42:06. 750 palavras, 365 visualizações. Categorias: Crônicas do Mundaréu, Pérolas do Conhecimento Humano , 4 comentários » • Envie um trackback »
Juninidades
Por incrível que pareça, nosso calendário ainda conserva resquícios da cultura grego romana, como o nome dos meses por exemplo; Junho, ou o mês de Juno, a deusa, ciumenta e pentelha que atormentava a vida do grande Júpiter – ou Zeus – e que fazia questão de transformar a vida daquelas gentis senhoras que, iludidas pelas promessas divinas de ‘você é a única’ e ‘vou largar tudo pra ficar com você’, se entregavam à volúpia do senhor do Olimpo (tinha Olimpo para os romanos?) e depois sofriam as conseqüências por terem provocado a ira da “dona da pensão” sem contar o “bacurinho” berrando no colo. Hércules e Alcmena que o digam.
Mas porque fui eu falar nos deuses…? Ah.. Lembrei. Junho, mês das famosas festas juninas, que não sendo dedicadas a Juno, celebram três (na realidade quatro) dos maiores santos da igreja católica. Santo Antonio de Pádua (ou de Lisboa, tanto faz) São João, dito “O Batista”, e São Pedro e São Paulo, estes últimos nunca se bicaram trocando entre si perfídias, que preferimos não comentar, até o martírio e a morte. Literalmente entre a cruz e a espada. (será que é daí que vem a expressão?)
Pois bem… me perdi de novo. Ah… sim.
Em virtude da comemoração dos grandes santos, um trauma me persegue desde a infância.
Não é segredo para ninguém meu passado religioso, minha educação deveras “carola” e, segundo um grande amigo que enverga as dignidades sacerdotais, a algum tempo, antes de minha ruptura com a igreja (não com Deus! Insisto. Não SOU ATEU), eu andava “fedendo incenso”.
Mas vamos ao trauma. Sempre que junho se aproximava, lá ia eu (nossa… dá até um refrão de sambinha… ou pagodinho chulo: LÁ IA EEEUUUU… LÁ IA EAAAAA… LÁ IA EUUUU… LÁIA LÁIAAAAA. – Isto comprova minha teoria de que não precisa ser nenhum gênio para ser compositor de pagodes. O mesmo se aplica ao Funk e ao Axé) tirar o pó da túnica pois, com exceção da vez em que fui o “Repórter Vesgo” e da outra em que tive de interpretar “Don Vito Corleone”, eu sempre fui o padre.
Remexendo em minha caixa de memórias, eis que encontro uma foto do pseudo casamento de meu irmão cabeçudo. Aquele que minha mãe ganhou no bingo da igreja.
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Neste dia glorioso, família reunida, todo mundo com a boca cheia de paçoquinha, a tia velha reclamando que um pedaço da ponte ficou grudada no pé-de-moleque… aquela coisa toda… voltando, neste dia glorioso, resolvemos sair os três distintos cavalheiros da foto para aquela famosa “compra de emergência”. A mãe da noiva havia notado a falta de alguma coisa que não me ocorre à lembrança (canela, cravo, pinga, gengibre… aquelas coisas que tem em toda festa junina e que ninguém lembra de comprar até que se dê falta) e lá vamos os três até o mercadinho e a padaria em busca do pedido de Sinhá.
Fato é que fomos fantasiados. Pior fica quando percebo que a padaria é na frente da igreja do bairro. Ainda pior pois a missa estava para começar.
Atenienses… essa vida de sacerdote não é fácil. O que teve gente passando na porta do estabelecimento, apontando para dentro e gritando: - “Olha o padre tomando cerveja…” – não estava no gibi. Teve um jagunço que até veio beijar minha mão, e eu ainda fiz questão de lembrar-lhe a muito não o via no confessionário. É só botar um terninho preto com uma camisa clerical que você já vira o centro das atenções.
Possívelmente o bispo regional deve ter recebido alguma reclamação sobre o padre que estava rindo no boteco e tomando cerveja com dois “capiaus”.
Ué… Também sou filho de Deus…
P.S. - Dona Ana Paula jura que um padre desses é um “desperdício"… Sorte dela. Também te amo.
22.06.08. 15:27:24. 688 palavras, 251 visualizações. Categorias: Causos de Família - Reflexões Pessoais, Crônicas do Mundaréu , Deixe seu comentário » • Envie um trackback »




