Um terrorista aterrorizante

Sim, dois posts no mesmo dia.
Como não sei quando voltarei a escrever em virtude das atividades acadêmicas - como dizia Petenussi, no mestrado têm-se duas alegrias: quando se entra e quando se sai - aproveito para registrar aqui um alerta do que seria a verdadeira ameaça para a campanha anti-terror iniciada por George Bush e conduzida diplomaticamente por Barack Obama.

Compartilho convosco este depoimento do principal militante do exército de Bin Laden. Achmed, o terrorista morto (vivo em nossos corações).

Tremam sobrinhos do Tio Sam.

por Fransmar
31.05.09. 11:03:56. 96 palavras, 3021 visualizações. Categorias: Causos de Família - Reflexões Pessoais , 11 comentários »Envie um trackback »

O Retrato de Dorian Gray

É claro que com a chegada das provas, assunto é o que não falta para ilustrar esta singela página. Como sempre, centelhas de genialidade inundam a mente de alguém que, sem ter a menor noção do que escrever em uma avaliação - uma vez que não sabe sequer do que se trata ou leu apenas um resumo sugismundo na internet - cria, recria e complica aquilo que deveria ser no mínimo fácil.

Entre meus diletos pupilos alguns costumam, ao encerrar a atividade, olhar fixamente em meus olhos e largar “Fui objetivo. Consegui dizer tudo em poucas linhas. Acho que fui muito bem". Tudo isto em um misto de estupidez e genialidade. Como quem diz:

- Sou um gênio sintético. Não preciso escrever mais do que dez linhas para exprimir toda a minha genialidade. Se você não entendeu, problema seu.

Este foi o caso de um coleguinha nesta semana inglória.
A atividade era sobre a obra de Oscar Wilde intitulada “O Retrato de Dorian Gray".

Um dos pequenos gafanhotos largou em seu texto (considere-se que abaixo reproduzo cerca de 50% da prova do sujeito, o que sei, será para muitos no mínimo enfadonho dedicar-se à leitura de tão complexas linhas, plenas de brilhantismo e de desenvolvimento tão complexo que só poderá ser acompanhado por alguns poucos):

“O Retrato de Dorian Gray fala sobre uma pintura em um quadro que é um retrato de Dorian Gray. Todos acham que quem envelhece é Dorian Gray mas, na realidade, é o retrato de Dorian Gray".

Claro, jamais chegaria a esta conclusão sozinho. Morin estava certo, temos que estar abertos ao novo e aprendermos com nossos alunos. Neste caso, um verdadeiro poço de sabedoria. Praticamente um Rui Barbosa.

por Fransmar
31.05.09. 10:56:31. 294 palavras, 363 visualizações. Categorias: Pérolas do Conhecimento Humano , 9 comentários »Envie um trackback »

Entre a vida e a Matemática.

Sim atenienses,estou de volta.
Ainda não fui abduzido; ao menos é o que parece.

Muitas coisas estão acontecendo ao mesmo tempo, e algumas até dignas de verdadeiras sagas que contarei com o tempo. Mas esta é outra daquelas estórias bonitinhas.
Depois que comecei a escrever o “Diário Indiário”, muitos de meus alunos têm proferido verdadeiras pérolas propositais no intuito de divertir minha vida e aparecerem nesta coluna com suas estórias. O interessante é que proferem a besteira e depois olham para minha cara e falam:

- Ô professor, essa pode ir pro site né..?

Atendendo a milhares de pedidos de um insistente, esta vai. Mas não vai sozinha.
Como alguns podem saber, além de todas as atividades que já possuo, este ano estou experimentando – e é uma experiência mesmo – um trabalho com o EJA (Ensino de Jovens e Adultos), onde tenho alunos mais maduros, que insistem em me chamar de Sr. e que, apesar da insistência, pelo visto, continuarão com esta péssima mania que causa neste pobre professor algumas contorções diante imanente percepção da passagem do tempo.
Porém, o “causo” é o seguinte:
Em uma destas turmas do EJA, um senhor (tanto pela idade quanto pela dignidade) em uma conversa informal proferiu aquele clássico trava-línguas da língua portuguesa que é a palavra “problema” de maneira curiosa. Para não dizer equivocada.

- …. é professor… é muita dificuldade… muitos “pobremas”…

No exercício da função, já rezando para não acontecer comigo o mesmo que naquele caso de “O jardineiro é Jesus” (veja o vídeo), senti-me na obrigação de corrigir.

- O correto é problema meu caro…. PRO – BLE – MA

Diante da correção, o distinto senhor reage de maneira inesperada…

- … “é não” professor… nesse caso é POBREMA mesmo…

Curioso, indaguei:

- e qual é a diferença entre POBREMA e PROBLEMA?

- ahhhh… professor, o senhor não sabe? (Novamente aquele já tradicional semblante iluminado de “o professor não saaabbeeeeeee…. ).

- PROBLEMA, são aqueles da matemática. POBREMA SÃO OS QUE NÓIS VÉVE.

Realmente, esclarecedor.
Precisamos reescrever o Aurélio. Ou Aulério? Claro…. AURÉLIO É O DICIONÁRIO, O ISCRITÔ É AULÉRIO.

P.S. - Tem uma outra bonitinha… mas vou manter o aluno no suspense e contrariamente ao prometido no início deste texto, vai só a acompanhante. A principal eu conto mais tarde.

por Fransmar
01.04.09. 09:29:09. 403 palavras, 1176 visualizações. Categorias: Críticas Mundanas e Situações Inusitadas , 7 comentários »Envie um trackback »

Semiótica: Banheiros e Elevadores

Certamente uma das ciências da linguagem mais fascinantes e a semiótica. Nunca entendi muito bem porque me apaixonava por estas análises que, em um primeiro momento, podem dar a entender ao interlocutor desavisado que estamos falando de um sujeito que observa o mundo com um olho só (entenderam o trocadilho? Semi – ótica? ã ? ã? ã?) mas, para aqueles que prestam atenção pouquinha coisa, fica claro que a semiótica é uma visão muito mais ampla que a metade e determina o entendimento e o envolvimento do todo na leitura da linguagem figurativa e simbólica do mundo ao entorno de todo e qualquer vivente.
Sim senhores, vivemos repletos e plenos de signos (e não estou falando do zodíaco) semióticos e interpretamos constantemente tudo o que está a nossa volta. Pelo menos desta maneira pensavam Peirce e Saussure (não sabe quem são? Vai pesquisar) e, ultimamente, diria também o grande Umberto Eco.
Porém, a tempos venho denunciando indiretamente neste espaço para minhas parcas reflexões, que a estupidez está tomando conta do mundo ocidental – e em tempos globalizados, porque não do oriental também – e desta forma, nossa capacidade de interpretar ou ultrapassa os limites do racional e aceitável, ou não chega nem perto.
Mostra disto, é que ultimamente estamos recebendo esclarecimentos formais, a titulo de informação e formação em todos os aspectos cruciais da nossa vida. Explico: Em um passado não tão distante, quando estávamos em qualquer estabelecimento público ou privado, comercial ou até mesmo comunitário, e sentíamos aquela vontadezinha indefectível de levar a jibóia para beber água – ou desinfetar os mexilhões, respeitadas as devidas variações de gênero – procurávamos por uma porta onde, não obrigatoriamente, constassem as consoantes W.C., devidamente acompanhados dos símbolos de Hares e Afrodite (representações gregas do masculino e do feminino), e devidamente localizado o recinto, era só executar a obra (como se diz lá no Ceará) sem maiores transtornos. Não era necessário escrever na porta HOMEM ou MULHER, ou desenhar um homenzinho e uma mulherzinha estilizados. O mero conhecimento simbólico da cultura greco-romana era suficiente para que o sujeito, ou sujeita, não passasse pela vexatória experiência de encontrar outro ser em posição de defesa durante sua reflexão acerca dos princípios básicos da fisiologia humana. Talvez os senhores se perguntem: Ora, mas o que isto tem a ver com a linguagem? Como Madamme, isto não lhe parece uma forma expressiva de linguagem? Ultimamente, para não dizermos que estamos vulgarizando nossas necessidades naturais, há uma placa em letras garrafais, obviamente com a pretensão de favorecer os que sofrem de miopia, onde escreve-se em mau francês TOALETE (Moliére escreveria toilette – e, cá para nós, poucos em nossos dias apreciam como eu, a língua de Moliére), quando não aparece literalmente um cartaz escrito BANHEIRO; acompanhado de outra que diz MASCULINO ou FEMININO, ou com desenhos (para não se desprezar totalmente a arte da linguagem simbólica) gritantes e cheios de sinais confusos que fazem aqueles que não tem ainda uma opção sexual bem definida voltarem para a mesa com cara de “estava tão cheio…” além da bixiga cheia e do ar reticente.

E digo isto porque a necessidade de esclarecimentos dos procedimentos em nossos dias tem atingido o absurdo nível de ser necessário escrever e identificar as portas e seus métodos de funcionamento. Normalmente há um lembrete adesivo escrito PORTA, seguido por um adesivo que, se por um lado esclarece “PUXE”, por outro determina “EMPURRE”. Ou seja, nossa ignorância atingiu o ápice de, caso todos estes esclarecimentos não sejam fornecidos, encontrarmos alguém que tente empurrar por horas a fio uma porta que deve ser puxada, insistindo neste processo de procedência empírica até que, outro com maior experiência ou esclarecimento apareça e execute a operação contrária deixando o primeiro com o estupefacto ar de “Ahhhhhhh…”

Mas, o que me motiva a escrever esta ligeira reflexão foi um inusitado fato ocorrido nos últimos dias no saguão de uma grande e renomada universidade deste nosso país varonil onde, à entrada do elevador encontrava-se o seguinte:

É claro que ninguém seria capaz de deduzir ou compreender imediatamente quais botões utilizar para cada direção. Ou ainda, seria extremamente complexo entender por uma linguagem simples que o botão ali presente deveria ser necessariamente acionado para que o mesmo pudesse ser utilizado. Isto justifica o fato de que a mesma universidade aconselha ainda os usuários a utilizarem as escadas; elemento da engenhairia arcaico, ultrapassado, desprovido de tecnologia mas, para os incautos, muito eficiente.

por Fransmar
07.03.09. 09:48:06. 807 palavras, 879 visualizações. Categorias: Críticas Mundanas e Situações Inusitadas , 5 comentários »Envie um trackback »

Cidadania Obituária - Eleições 2008.

Algumas situações passam muitas vezes despercebidas de nossa capacidade observadora. Situações que podem, muitas vezes, nos remeter a uma reflexão transcendente da simplicidade das ações do mundo diante do exercício da função, conjuntamente à angústia do ser que, de forma desesperada exige para si imediata atenção e, talvez, fosse melhor conter seu ensejo esclarecedor em proveito dos comentários pejorativos promulgados pelo próximo.
Tais situações caem no esquecimento por razões muitas vezes desconhecidas. Mas é claro, sempre existe a “volta às aulas” e os alunos fazem questão de lembrar este autor da maior parte dos desaforos que vivenciamos muitas vezes juntos, em circunstâncias deveras adversas daquela vivência rotineira da sala de aula. Explico:

Um aluno muito tímido, daqueles que te encontram em um corredor de trinta metros com a plebe vazando pelo ladrão e gritam do extremo oposto - PROFESSOOOOOOOORRRRRR…. – iluminou minha memória com a reminiscência do seguinte ocorrido.

Estava eu devidamente convocado pela minha diretora escolar para prestar auxílio e possível socorro ao serviço público que, em virtude do cumprimento de tão ilustre dever pátrio, não poderia passar sem a colaboração de minha egrégia pessoa. Assim, fui conclamado às pressas para trabalhar nas eleições municipais de 2008. Como o TRE já houvera se encarregado da convocação de todos os “voluntários” para que o pleito fosse levado a termo, a escola pediu que este que vos escreve contribuísse com seus préstimos na sessão de justificativa de votos.

Estava lá o neto do Cel. Hipólito (mais por poder sertanejo do que por patente), justificando o voto dos eleitores perdidos no espaço – pois se estivessem no lugar correto não precisariam justificar nada – quando surge o pai de um aluno que resolve, além de incumbir-se do propósito óbvio, trocar dois dedinhos de prosa com o famoso professor de seu pimpolho.

- Mas menino, você sabe que filosofia é a única matéria que ele gosta. Ele até lê!

É claro que, não é todo dia que surge um pai elogiando seu trabalho e ainda mais confirmando que o filho seja leitor de alguma coisa por motivação sua. Não consegui suprimir o pecado do orgulho e acabei dando uma atenção exagerada – não compatível com minhas funções naquele momento, admito – ao distinto senhor.

Nisto, a fila vai aumentando, uma turba de cidadãos ansiosos pelo cumprimento do dever cívico começa a se aglomerar diante da minha mesa e, com certa razão, começa a se irritar.
Uma senhora muito bem vestida – note-se, minha sessão eleitoral está locada em uma comunidade absolutamente carente, onde normalmente apresentam-se senhoras obesas com cara de “tia velha” trajando uma bermuda aproveitada de uma calça de moleton de “cotton”, uma camiseta regata de “viscose” azul tampinha de garrafa da Lyndoia, uma sandália havaiana soltando as tiras e uma exibição hidrográfica da amazônia brasileira nas panturrilhas que são chamadas geralmente de “varizi” – observe o leitor que não digo isto para diminuir a dignidade da comunidade na qual trabalho mas é interessante perceber que as pessoas simples, e neste caso a maioria delas solícitas a minha solidão e indignação de ter que trabalhar como um “voluntário” em pleno domingo contra minha vontade, começam a conversar entre si, trocam umas receitas de “pão de camada”, entram na conversa alheia e, da fila mesmo já estavam até palpitando sobre a educação do filho do distinto senhor que, não canso de repetir, motivado pela minha matéria até lia alguma coisa. Mas dizia que, uma senhora muito bem vestida, usando um vestido básico bem ornado, com o cabelo todo arrumado e preparado para a possibilidade de uma tempestade tropical (como quem acabara de sair da festa do laquê), do alto de sua dignidade em um salto altíssimo, e balançando todo seu estoque de silicone com aquela cara de “bando de pobres”, sai da fila e dirige-se a minha mesinha com um título de eleitor na mão balançando em tom ameaçador; tira os óculos escuros que mais pareciam uma out-door da Gucci (lembrem-se que as placas estão proibidas!) e profere em tom autoritário:

- Mocinho! Eu preciso justificar o voto do meu marido!

Não preciso dizer que o tom de voz da espinafração da dondoca foi ouvido por toda a sessão. Interessado no caso, indaguei:

- O voto de seu marido? Mas ele precisa assinar a justificativa.

Ao que ela retribuiu:

- Mas ele faleceu em janeiro. Ele não poderá assinar.

Nisto, alguns campesinos que compunham a fila e aguardavam a furona desobstruir espaço, já tomados de certa curiosidade, começaram a esboçar um princípio de riso.
Em um lampejo de memória – sabe aquele momento em que você pensa mais rápido do que fala e, quando percebe que vai falar alguma besteira, já foi? – respondi:

- Neste caso, a senhora deve procurar um Kardec Eleitoral.

- Como?

- Um cartório eleitoral madame. Só no cartório eleitoral eles poderão justificar o voto do seu marido.

Ainda bem que o laquê deve ter obstruído as vias auditivas da distinta, que saiu pisando duro e procurando alguém do TRE para informar-se sobre o endereço do cartório mais próximo.

- Esse governo! Só faz isso para complicar a vida da gente! – resmungou enquanto saia.

Agora vai ser um parto para esquecer isto de novo.

por Fransmar
23.02.09. 09:32:03. 946 palavras, 472 visualizações. Categorias: Crônicas do Mundaréu , 4 comentários »Envie um trackback »

1 2 3 4 5 6 7 8 9 >>