Ao homem que não
sabe a qual porto quer chegar nenhum vento
lhe será favorável...

(Seneca, La vita beata)



 

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Santos, fim de tarde.

Link permanente 14.01.09 16:54:09 , by edison silvestre Email , 392 visualizações, Fotografias, 1 comentário »

"Guindastes do Porto"

“Guindastes do Porto”

Link permanente 14.01.09 16:46:41 , by edison silvestre Email , 53 visualizações, Fotografias, Deixe seu comentário »

A prece de um homem moribundo

Ah, minha linda Sofia, mulher de seios fartos, belas curvas, me inebria, faz dormir, sonhar…ah, Sofia.
Queria ao menos na eternidade sentir de novo o perfume dos teus cabelos dourados, o teu cheiro de manhã, a tormenta da tua voz no canto da minha mente…ah , Sofia.
Quando os homens me viraram as costas, teu colo quente me abrigou das unhas agudas do destino, teus braços longos e tenros derramavam em mim a cor do alvorecer, um vermelho vestido de azul, uma cor áspera, massageava todo o meu corpo…ah, Sofia.
Um dia pensei em fugir contigo, busquei nos confins do mundo nossa morada, pobre de mim, hoje bebo de ti na prisão, as pedras frias me dizem sempre não, um não que jamais ouvi de ti…ah, Sofia.
Envelheço, apodreço e tu remoças, já deves estar enamorada de um outro alguém, no entanto, me visitas, será que faço jus a tal fortuna?…Ah, Sofia.
Vi os reinados do mundo e os seus reis, vi os mares do mundo e suas tormentas, as distâncias da terra e seus caminhos, vi as guerras e seus guerreiros, amores, desejos alheios, e agora, que a vida me falta no peito e a visão se distrai com a escuridão, só me lembro de ti….minha linda Sofia…Ah minha linda sofia.

Texto; Professor Edison, inspirado no livro ” A consolação da Filosofia” de Boécio

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"Os Guindastes do Porto"

Por onde chega o novo, por onde eu vejo o novo, o porto.

A instância final, onde acaba a cidade, onde me ligo com o outro lado do mundo.

Pergunto-me o quanto é raso ou o quanto é fundo? O que é raso? O que é fundo?

O que é novo? O que é mundo?

O que me prende as amarras que por mais que ice minhas velas não consigo navegar

O que me larga, me lança no vazio e que por mais que eu queira colo, não consigo aconchegar.

Que força é esta, que braços são estes que vivem trabalho como fundamento da própria existência.

Por vezes temi que não agüentassem minha saudade, que teus longos braços fortes e teus cabos rijos não suportassem quem já nem se suporta.

Ah, guindastes do porto, testemunhas de quem foi meu pai, testemunhas do céu que me cobre, da saudade que sinto de um tempo que não vivi, das ruas e luzes que não ouso nomear.

O cheiro que abastece os armazéns servidos por ti e que me inebriam quando busco a resposta para o fascínio que me escraviza a tua imagem.

Amo o que não conheço, ou amo tanto por conhecer tão pouco e esse pouco é que mantém viva a esperança de um dia traduzir-te, de um dia tornar clara a bruma da harmonia que se estabelece em mim quando te vejo.

Iça-me, iça-me bem alto, iça-me pra longe do mundo.

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“A quem devo ser fiel” – a História de um farol.

Ah, a areia num vento torto acaricia-me os pés

Envoltos no conflito doce de paixão voraz

Sem perceber-me, lá se vão os dois

Sem saber da dor que essa paixão me traz

Ah, a brisa leve da manhã de outono

Ao pé d´ouvido me sussurra um rio

“que há de mal em ter-se, que há de mal em dar-se?”

Penso: triste é teu correr, pesar teu entregar-se

Curso musical, tua leve harmonia, clara e verde e pura

Acumulas de paixão a figura que te chamas

Te enriqueces de contos e de sombras e candura

Ah destino teu, que destino tu derramas, que destino tu procuras

O aroma de maçã vem nas asas da primavera

Aqui fico, cansado e torto como o vento

Contemplando o que um dia tive

O que já não tenho mais por dentro

Nasce, cresce, corre; ah, tempo ardil

Que retrato mais viril, que metáfora de amor!

Quanta decência e certeza no penar

A quem devo ser fiel? A quem devo dar valor?

Pensem vocês que de angústia sobrevivo

Outrora minha luz caminho certo para os desvios

Hoje, cansada testemunha, cúmplice de força e dor

Ah, a quem devo ser fiel? Que metáfora de amor!

Link permanente 14.01.09 16:13:15 , by edison silvestre Email , 43 visualizações, Poemas, 1 comentário »

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