Categoria: Pérolas do Conhecimento Humano
O Retrato de Dorian Gray
É claro que com a chegada das provas, assunto é o que não falta para ilustrar esta singela página. Como sempre, centelhas de genialidade inundam a mente de alguém que, sem ter a menor noção do que escrever em uma avaliação - uma vez que não sabe sequer do que se trata ou leu apenas um resumo sugismundo na internet - cria, recria e complica aquilo que deveria ser no mínimo fácil.
Entre meus diletos pupilos alguns costumam, ao encerrar a atividade, olhar fixamente em meus olhos e largar “Fui objetivo. Consegui dizer tudo em poucas linhas. Acho que fui muito bem". Tudo isto em um misto de estupidez e genialidade. Como quem diz:
- Sou um gênio sintético. Não preciso escrever mais do que dez linhas para exprimir toda a minha genialidade. Se você não entendeu, problema seu.
Este foi o caso de um coleguinha nesta semana inglória.
A atividade era sobre a obra de Oscar Wilde intitulada “O Retrato de Dorian Gray".
Um dos pequenos gafanhotos largou em seu texto (considere-se que abaixo reproduzo cerca de 50% da prova do sujeito, o que sei, será para muitos no mínimo enfadonho dedicar-se à leitura de tão complexas linhas, plenas de brilhantismo e de desenvolvimento tão complexo que só poderá ser acompanhado por alguns poucos):
“O Retrato de Dorian Gray fala sobre uma pintura em um quadro que é um retrato de Dorian Gray. Todos acham que quem envelhece é Dorian Gray mas, na realidade, é o retrato de Dorian Gray".
Claro, jamais chegaria a esta conclusão sozinho. Morin estava certo, temos que estar abertos ao novo e aprendermos com nossos alunos. Neste caso, um verdadeiro poço de sabedoria. Praticamente um Rui Barbosa.
31.05.09. 10:56:31. 294 palavras, 387 visualizações. Categorias: Pérolas do Conhecimento Humano , 10 comentários » • Envie um trackback »
Exceções - A Regra é Clara...
Arnaldo César Coelho, ex-árbitro e atual comentarista esportivo vêm, a alguns anos, induzindo a mentalidade dos brasileiros que tem por hábito assistir à partidas de futebol nas tardes de domingo com a famigerada sentença: A regra é clara.
Esta frase, corre a boca pequena, só não é superada em conteúdo filosófico pelas pérolas de seus colegas de profissão e companheiros de transmissão Galvão Bueno (que durante o GP de Mônaco de 2005 afirmou que a reta dos boxes era curva, sem contar as inúmeras vezes em que convidou os telespectadores a assistirem, após o amistoso da seleção a um capítulo “inédito” de “Vale a pena ver de novo”, nos áureos tempos da rede globo”), e o ex-comentarista e corinthiano, premiado com o “Canudo de Ouro” e troféu “Nariz de Ferro” em 2007, Walter Casagrande, que não cansa de profanar proferir a sentença de que “o jogo só acaba quando termina e ganhará quem fizer mais gols”.
Dizem os incautos que “toda regra tem exceção”, o torna-se imediatamente uma antítese do pensamento deste douto futebolista, e é justamente nesta parte que eu fico extremamente irritado.
Não dá para fazer um mundo só de regras, ou só de exceções? Ficaria tão simples.
Minha última irritação deu-se justamente por motivos esportivos.
Ultimamente tenho me inclinado à pratica esportiva, mais precisamente, tenho jogado tênis; conforme as exigências da neta de D. Izolina que não quer ver seu namorado rolando ladeira abaixo (literalmente) ao tropeçar no portão de sua casa, sob pena de ser confundido com uma bolinha pelo Ruffos (é… eu já falei pra Ana que o nome do cachorro dela tem certa semelhança semântica com nome de batata frita, mas ela nem ligou) e ainda tomar umas mordidas.
Dias passados, fui para um congresso de filosofia em um Hotel bastante conceituado, especializado em simpósios, treinamentos e convenções e, bastante animado com o site do hotel que dizia “Quadras, Piscinas e Saunas – 24 horas” parti para tal atividade intelectual munido de minhas raquetes e bolinhas.
Todos sabem que parceiros é o que não falta, mesmo que sejam aqueles que não tem nenhuma intimidade até mesmo com a mesa de ping-pong ( e não estou falando do tênis de mesa, que bem jogado proporciona até algumas emoções, mas do ping-pong mesmo).
Findo o primeiro dia do congresso, encontro um professor da magnânima megalópole que é Santa Adélia, no interior paulista, e que aceitou o meu convite demonstrando desde o início a destreza supra citada.
Quando chegamos na quadra, reparamos na seguinte placa (é… fotografei a placa. Se contar ninguém vai acreditar mesmo… )

Alguém pode me explicar isto?
É uma regra, ou uma exceção?
Tentando argumentar com o gerente do hotel, este me explicou que “Normas são normas!”, o que me fez relembrar imediatamente aquele juiz de futebol que fala besteira na televisão.
Liguei para um amigo advogado e expliquei a situação. Após aguardar uns 15 minutos até ele parar de rir, o magistrado me explicou que seria possível um processo por “propaganda enganosa” mas, não era viável uma vez que havia no local uma placa de advertência e minha foto tornava-se então, prova suficiente da inocência dos administradores.
Isto explica o motivo pelo qual me afasto dos advogados, das placas, das regras e das exceções. Não se pode confiar em nenhum deles.
No terceiro dia de congresso, ainda indignado com a situação, proferi minha comunicação acerca do “Ócio construtivo na obra de Domenico de Masi”, o que me fez explanar, em circunstante improviso, sobre a forma que a sociedade contemporânea aniquila os desejos do ócio induzindo ao trabalho até mesmo durante os congressos científicos. Prometendo momentos de lazer e a possibilidade de desfrute de toda a estrutura do hotel, permanecemos trancados em um auditório até as 17h e quando vamos para a quadra de tênis, que ficou aberta o dia todo para as moscas, ela está fechada.
Solenemente comuniquei ainda que não estaria presente na convenção do dia seguinte pois queria desfrutar um pouco das piscinas e jogar tênis.
Pronto. Estava armada a revolução.
As piscinas estavam cheias. As quadras lotadas. O palestrante conversava com os garçons.
Eu fui para o quarto ler um livro. Definitivamente perdi a vontade.
27.06.08. 10:42:06. 750 palavras, 365 visualizações. Categorias: Crônicas do Mundaréu, Pérolas do Conhecimento Humano , 4 comentários » • Envie um trackback »




