Categoria: Causos de Família - Reflexões Pessoais

Um terrorista aterrorizante

Sim, dois posts no mesmo dia.
Como não sei quando voltarei a escrever em virtude das atividades acadêmicas - como dizia Petenussi, no mestrado têm-se duas alegrias: quando se entra e quando se sai - aproveito para registrar aqui um alerta do que seria a verdadeira ameaça para a campanha anti-terror iniciada por George Bush e conduzida diplomaticamente por Barack Obama.

Compartilho convosco este depoimento do principal militante do exército de Bin Laden. Achmed, o terrorista morto (vivo em nossos corações).

Tremam sobrinhos do Tio Sam.

por Fransmar
31.05.09. 11:03:56. 96 palavras, 3320 visualizações. Categorias: Causos de Família - Reflexões Pessoais , 11 comentários »Envie um trackback »

Arte contemporânea e música brasileira ou, como fazer um Axé.

Retornei à vida acadêmica.
Após um rápido período de afastamento motivado por atividades condizentes à ordem pública, e percebendo que não conseguiria estabelecer nenhuma ordem nesta josta – e portanto ordem pública é um paradoxo – resolvi retomar minhas pesquisas e adentrar ao curso de mestrado em uma conceituada universidade.
O contato direto com alguns professores conhecidos outrora, me fez reviver experiências saborosas das quais me afastara. Como consegui sobreviver sem este rol de debates e discussões edificantes que tanto contribuem para meu desenvolvimento epistemológico?

Fato é que, lá pelas tantas, o filho de Dona Adriana deparou-se com uma aula sui generis acerca da pertinência da arte na contemporaneidade.
Nunca fui grande apreciador da arte contemporânea. Na realidade, entendo que tal manifestação “artística” só venha a corroborar a tese defendida pelos gregos antigos que diziam ser a arte mera reprodução imperfeita das idéias transcendentais e, portanto, não possuíam valor de verdade.

Como filósofo, acredito piamente no 32º versículo do 8º capítulo do evangelho de São João. Súbito, surge um mestre que me faz observar que o explendor da manifestação artística está intimamente ligado à significação e dignificação do ente frente a um valor de linguagem.
Ué? É arte ou é linguagem? Posso até entender que muitas práticas artísticas sejam significantes, plenas de valor semântico, semiótico e fenomenológico mas, observando bem a linguagem de nossos dias fico imaginando o quão artístico e poético ela possa se mostrar.

Por exemplo, a musicalidade brasileira sempre foi uma de nossas mais sublimes manifestações artísticas. Que o digam Tom, Vinícius, Chico e outros.
Zeca Baleiro e Zé Ramalho seriam pura expressão lingüística. Ouça aqui.

Outro que merece as laudes é Arnaldo Antunes, com o clássico “Não é o que não pode ser que não é”. Pura concepção metafísica.

Mas então chegamos ao entrave da musica no século XXI, com o funk, o axé baiano, a banda Calypso (uma espécie de axé paraense com tendências técnicas a reproduzir a voz arranhada de Aretha Franklin e Bruce Springstem, com ênfase na alegria e na animação – TODO MUNDO COMIGO… ) e o pagode.

Não estou falando de samba de roda, samba propriamente dito ou o samba do malandro. Estou falando de pagode mesmo. Aquela música que o sujeito faz normalmente motivado pela inspiração do momento defecativo onde, casualmente manuseia um aparelho celular (já que dificilmente saberia ler – o que seria comum ocorrer neste momento entre pessoas cultas) e acaba mandando um torpedinho para a amada.
Talvez por este motivo, a maioria dos pagodinhos tenham em suas letras

- Me telefonaaaaa…. no celulaaaarrrrr….

- Me ligaaaaa… manda um telegramaaaaa…. uma carta de amooooooorrrrrr….

Sem contar que as melodias são praticamente idênticas. Por falar em melodias idênticas, os senhores devem imaginar como se produz uma música de Axé Baiano (O baiano, não o paraense; por mais que sejam semelhante em estilo há uma ligeira distinção cultural motivada pelo sotaque) com genialidade.

Dois indivíduos absurdamente musicalizados e favorecidos por uma rica cultura rítmica encontram-se, invariavelmente, na ladeira do Pelô (em sentidos opostos, um subindo e outro descendo) e, por questões de cordialidade, iniciam um processo de saudação civilizada. O diálogo segue, mais ou menos, nestes termos:

- Aê!
- Aê!

- Ei!
- Ei!

E após esta eloqüente conversa saem rodopiando com os indicadores apontados para o céu e cantando:

- ÔÔÔÔÔÔÔÔÔÔOOooooooooo

Não tem como não chamar de artísta.

por Fransmar
15.02.09. 11:45:23. 617 palavras, 1018 visualizações. Categorias: Causos de Família - Reflexões Pessoais , 6 comentários »Envie um trackback »

Presença de Espírito

Sempre admirei a presença de espírito.
Algumas pessoas tem a sagacidade, a mente rápida e a eloquência que na maioria das vezes é a plena distinção entre a estupidez exacerbada e a genialidade.
Tenho por hábito, iniciar o curso de filosofia com algum exercício maiêutico, ou seja, diante da manifestação de algum voluntário, vou colocando uma questão sobre a outra até que alguma coisa interessante aconteça. E sempre acontece.

A coisa ocorreu mais ou menos nestes termos:

Questionado sobre “Quem” era, um aluno respondeu:

- Sou Fulano!

- Mas este é o seu nome, e seu nome não define quem você é.

- Ah professor… sou um cara legal, extroverdido, que gosta de se divertir…

- Mas aí você está me respondendo “O QUE” você é.

- Bom… então sou um ser humano, que tem livre arbítrio….

- Ahhhh… Livre arbítrio… que bonito. E o que é o livre arbítrio?

- É o que me faz saber o que é certo e o que é errado.
`
Por esta altura do campeonado, o menino já deveria estar, se não confuso, ao menos com o saco cheio. Pensei com meus botões: Agora é a derradeira.
Soltei:

- E o que é certo?

Neste momento o semblante do garoto se iluminou, porém, uma luminosidade diferente… daquelas que não se vê todo dia.

- É o que Deus escreve em linhas tortas.

Preciso dizer mais alguma coisa? Isto é presença de espírito.
Gostei do sujeito.

por Fransmar
05.02.09. 23:11:49. 252 palavras, 515 visualizações. Categorias: Causos de Família - Reflexões Pessoais , 10 comentários »Envie um trackback »

Momentos de exaltação da inteligência humana

Sim, sim atenienses…
Muito da inteligência humana contemporânea deve ser exaltado. Principalmente após grandes pensadores dedicarem boa parte do seu tempo nas reflexões epistemológicas acerca da origem do entendimento.
John Locke escrevia, em seu “Ensaio sobre o Entendimento Humano” que o homem é uma “távola rasa”, ou seja, uma folha em branco, sobre a qual podemos escrever e traçar todas as características necessárias do pensamento a partir da experiência. René Descartes, em suas “Meditações Metafísicas”, sugeria que a dúvida hiperbólica teria valor inicial na constituição do método para o desenvolvimento do processo cognitivo enquanto que Rousseau, Leibniz, Kant, Hegel e Platão, também dedicaram algum tempo e boas páginas a respeito do assunto. Entre os educadores, Jean Piaget e Vigotsky merecem destaque.
O que me surpreende é que, mesmo com tanto desenvolvimento acerca dos procedimentos educacionais, epistemológicos, cognitivos, racionais e lógicos, alguns seres (que não merecem esta denominação, convenhamos), insistem em sair por aí aprontando as maiores peripécias que só poderiam ter origem na inteligência humana.
Os casos brevemente descritos abaixo, são oriundos de contribuições de dois leitores que, preocupados com a sanidade mental dos visitantes desta página, resolveram compartilhar momentos marcantes de auto-flagelo intelectual expondo o ridículo alheio a público.
Se é montagem ou não, não irei julgar.

Primeiramente, Caio César nos remete o caso de um criminoso catarinense que, em uma distração lingüística, foi surpreendido em seu delito sem direito ou contestação de provas, como assegura a imagem abaixo. Não se pode negar que é um sujeito, no mínimo, “cliativo”.

No segundo momento, meu caro irmão Rubens Ressutti, cuja orbe plantada sobre seu pescoço já foi tantas vezes louvada nesta página, capta uma imagem televisiva (duvido que ele tirou a foto, mas vamos dar crédito) onde o jornalista consegue uma entrevista exclusiva por intermédio de uma sessão de “mesa-branca” ou diretamente do Hades. Resta saber quais informações o empresário entrevistado passou para este gênio que, diante de tamanho esforço, deve ser imediatamente agraciado com o prêmio Pulitzer.

É isto mesmo. Contribuam com esta página. Assim poderemos lançar um movimento intelectual de maneira tal que, me acuda Oxalá, a ignorância seja banida de nosso meio. A propósito, é sempre bom ter ignorantes por perto e, portanto, os senhores podem desconsiderar esta minha última consideração. Afinal de contas, sem a ignorância, estaríamos rindo de quê?

por Fransmar
30.01.09. 13:16:44. 434 palavras, 474 visualizações. Categorias: Causos de Família - Reflexões Pessoais , 5 comentários »Envie um trackback »

Desinfeliz Ano Novo

E lá vamos nós de novo.
Mais um ano começa, outro ano acaba. Novamente se renovam os votos de felicidades, saúde, prosperidade, sucesso, “muito dinheiro no bolso, saúde pra dar e vender…”
Vamos nos reunir todos para ver e participar da queima de fogos, maldita queima de fogos. Explico rapidamente: tenho um cachorro, e os tímpanos do Sr. Bonifácio Costa Lima são sensíveis a fogos de artifício. E os meus aos latidos desesperados do dito cujo.
Mas dizia eu que, novamente vamos contemplar a queima de fogos, abrir uma garrafa de champagne (na maioria das vezes uma cidra vagabunda de maçã, que todo mundo insiste em chamar de champagne. Coisa de terceiro mundo - perdoem a expressão fora de uso, mas continuamos sendo terceiro mundo, apesar de acreditarmos estar em desenvolvimento), abraçar aquele parente filho da puta que aparece na sua casa só para filar a ceia, aquele primo pentelho que te atazanou o ano todo e agora avança em sua direção com os braços abertos e te deseja um “Feliz Ano Novo".

Andei pensando com meus botões, e convido os distintos leitores a fazerem uma reflexão: Há trinta e poucos anos (vamos manter isto nos poucos) ouço a mesma coisa: “o próximo ano será melhor”, “no próximo ano serei uma pessoa melhor”, “o governo continuará trabalhando – quando foi que o governo trabalhou? – para que o próximo ano seja ainda melhor”. O curioso, é que continua sempre a mesma coisa. Tá, admito, muita coisa mudou nos últimos 30 anos (vamos deixar os poucos pra lá) mas o desejo e a vontade de que tudo seja “melhor” continuaram os mesmos.

A pouco, estava ao telefone com um amigo, e disse a ela que iria colocar uma bermuda e subir até o jardim para tomar a chuva que se aproximava (considerando que já estamos no verão, prometia ser uma senhora chuva). Ela achou muito estranho, este meu súbito desejo de tomar chuva. Existe alguma forma mais saborosa de aproveitar o verão do que tomar chuva? Tudo bem… tudo bem… tem praia, tem piscina, opções à rodo, mas eu adoro chuva.

Trabalhamos como formigas alucinadas para conquistarmos aquela parte do “muito dinheiro no bolso” e esquecemos de desfrutar os pequenos prazeres e tomar chuva.

Em tempos idos, você encontrava um amigo que não via á tempos e dizia:

- Nossa! você está sumido!

Normalmente o motivo era:

a) o sujeito casou e mudou-se para a Vila Mimosa
b) o sujeito trocou a metrópole por outra cidade, no interior
c) o sujeito foi para outro bairro em outra cidade e estava ali só para visitar a mãe e rever os amigos.

Hoje, você encontra um amigo, daqueles do tempo de roubar goiabas no quintas alheio, e diante da exclamação supra a resposta, inevitavelmente é:

- Sabe como é né, muito trabalho…

O sujeito não se casou, não mudou de casa, não mudou de bairro, não mudou de cidade, continua no mesmo lugar onde sempre esteve sendo que a única coisa subtraída de sua vida foi a bendita goiabeira que a vizinha mandou cortar a 15 anos.

Esquecemos de subir na goiabeira da casa vizinha; esquecemos até mesmo de plantar uma goiabeira em nosso quintal (que quintal? Se o sujeito não mora em apartamento, no mínimo transformou o quintal em garagem) para que os vizinhos tivessem onde subir. Deixamos de aproveitar a vida da janela, o contato com os vizinhos, o prazer de reunir os amigos na calçada apenas para jogar conversa fora.
Utilizamos a internet e softwares de comunicação para conversarmos com o sujeito que está fazendo intercâmbio em Bornéu (sei lá onde fica isso) e não temos a menor idéia de quem seja nosso vizinho de porta.

É por estas e outras que estou desejando a todos os meus amigos, alunos, colegas de trabalho e qualquer ser perdido por estas páginas que tenha um desinfeliz ano novo. Desinfeliz, para que não desejemos apenas coisas novas e mudanças supraterrenas. Desinfeliz para que tenhamos a capacidade de resgatar os pequenos prazeres.
Desinfeliz para estejamos próximos e amigos, e que finalmente o trabalho permita que nos encontremos mais vezes, para um café, para uma cervejinha (se o governo tomar vergonha na cara e entender que não é a cervejinha depois do trabalho o problema das vias públicas) ou mesmo para uma conversa de janela.
Desinfeliz para deixarmos nossa vidinha medíocre de lado, e dedicarmos alguma atenção ao que realmente importa que, cá entre nós, não é tão complicado assim…

DES IN FELIZ ANO NOVO.

por Fransmar
30.12.08. 10:10:45. 790 palavras, 482 visualizações. Categorias: Causos de Família - Reflexões Pessoais , 6 comentários »Envie um trackback »

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