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Semiótica: Banheiros e Elevadores

Certamente uma das ciências da linguagem mais fascinantes e a semiótica. Nunca entendi muito bem porque me apaixonava por estas análises que, em um primeiro momento, podem dar a entender ao interlocutor desavisado que estamos falando de um sujeito que observa o mundo com um olho só (entenderam o trocadilho? Semi – ótica? ã ? ã? ã?) mas, para aqueles que prestam atenção pouquinha coisa, fica claro que a semiótica é uma visão muito mais ampla que a metade e determina o entendimento e o envolvimento do todo na leitura da linguagem figurativa e simbólica do mundo ao entorno de todo e qualquer vivente.
Sim senhores, vivemos repletos e plenos de signos (e não estou falando do zodíaco) semióticos e interpretamos constantemente tudo o que está a nossa volta. Pelo menos desta maneira pensavam Peirce e Saussure (não sabe quem são? Vai pesquisar) e, ultimamente, diria também o grande Umberto Eco.
Porém, a tempos venho denunciando indiretamente neste espaço para minhas parcas reflexões, que a estupidez está tomando conta do mundo ocidental – e em tempos globalizados, porque não do oriental também – e desta forma, nossa capacidade de interpretar ou ultrapassa os limites do racional e aceitável, ou não chega nem perto.
Mostra disto, é que ultimamente estamos recebendo esclarecimentos formais, a titulo de informação e formação em todos os aspectos cruciais da nossa vida. Explico: Em um passado não tão distante, quando estávamos em qualquer estabelecimento público ou privado, comercial ou até mesmo comunitário, e sentíamos aquela vontadezinha indefectível de levar a jibóia para beber água – ou desinfetar os mexilhões, respeitadas as devidas variações de gênero – procurávamos por uma porta onde, não obrigatoriamente, constassem as consoantes W.C., devidamente acompanhados dos símbolos de Hares e Afrodite (representações gregas do masculino e do feminino), e devidamente localizado o recinto, era só executar a obra (como se diz lá no Ceará) sem maiores transtornos. Não era necessário escrever na porta HOMEM ou MULHER, ou desenhar um homenzinho e uma mulherzinha estilizados. O mero conhecimento simbólico da cultura greco-romana era suficiente para que o sujeito, ou sujeita, não passasse pela vexatória experiência de encontrar outro ser em posição de defesa durante sua reflexão acerca dos princípios básicos da fisiologia humana. Talvez os senhores se perguntem: Ora, mas o que isto tem a ver com a linguagem? Como Madamme, isto não lhe parece uma forma expressiva de linguagem? Ultimamente, para não dizermos que estamos vulgarizando nossas necessidades naturais, há uma placa em letras garrafais, obviamente com a pretensão de favorecer os que sofrem de miopia, onde escreve-se em mau francês TOALETE (Moliére escreveria toilette – e, cá para nós, poucos em nossos dias apreciam como eu, a língua de Moliére), quando não aparece literalmente um cartaz escrito BANHEIRO; acompanhado de outra que diz MASCULINO ou FEMININO, ou com desenhos (para não se desprezar totalmente a arte da linguagem simbólica) gritantes e cheios de sinais confusos que fazem aqueles que não tem ainda uma opção sexual bem definida voltarem para a mesa com cara de “estava tão cheio…” além da bixiga cheia e do ar reticente.

E digo isto porque a necessidade de esclarecimentos dos procedimentos em nossos dias tem atingido o absurdo nível de ser necessário escrever e identificar as portas e seus métodos de funcionamento. Normalmente há um lembrete adesivo escrito PORTA, seguido por um adesivo que, se por um lado esclarece “PUXE”, por outro determina “EMPURRE”. Ou seja, nossa ignorância atingiu o ápice de, caso todos estes esclarecimentos não sejam fornecidos, encontrarmos alguém que tente empurrar por horas a fio uma porta que deve ser puxada, insistindo neste processo de procedência empírica até que, outro com maior experiência ou esclarecimento apareça e execute a operação contrária deixando o primeiro com o estupefacto ar de “Ahhhhhhh…”

Mas, o que me motiva a escrever esta ligeira reflexão foi um inusitado fato ocorrido nos últimos dias no saguão de uma grande e renomada universidade deste nosso país varonil onde, à entrada do elevador encontrava-se o seguinte:

É claro que ninguém seria capaz de deduzir ou compreender imediatamente quais botões utilizar para cada direção. Ou ainda, seria extremamente complexo entender por uma linguagem simples que o botão ali presente deveria ser necessariamente acionado para que o mesmo pudesse ser utilizado. Isto justifica o fato de que a mesma universidade aconselha ainda os usuários a utilizarem as escadas; elemento da engenhairia arcaico, ultrapassado, desprovido de tecnologia mas, para os incautos, muito eficiente.

por Fransmar
07.03.09. 09:48:06. 807 palavras, 927 visualizações. Categorias: Críticas Mundanas e Situações Inusitadas , 5 comentários »Envie um trackback »

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5 comentários

Comentário de: Bia (sua vizinha) [Visitante] · http://fotolog.terra.com.br/non_omnis_moriar
Fran, quase chorei de rir!

o pior de tudo (ou melhor, dependendo da sua inocência) é que tudo isso que você escreveu é verdade.

Não é que o pessoal abusa no uso da semiótica deixando as pessoas cada vez mais alienadas a símbolos?

fiquei assustada e, ao mesmo tempo, senti a maior vontade de rir quando li aqui comentadas, situações as quais já presenciei...

FRAN... é muito legal o seu indiário!

beijãooo
11.03.09 @ 11:27
Comentário de: Rodrigo Costa Lima [Visitante]
É incrível o como me indentifico com meu pai..
19.03.09 @ 18:05
Comentário de: leila [Visitante] · http://www.databyte.com.br
OLÁ FRANSMAR,



EU TAMBÉM APRECIO a língua de Moliére!


O QUE O GORDINHO MAIS FOFO DESSE BRASIL
VARONIL TEM A DIZER SOBRE ISSO?(É ASSIM QUE SE ESCREVE?, CORRIJA-ME SE ESTIVER ERRADA POIS EU SOU BURRRRRAAAAAAAAAAAAAAA)

RESPOSTA DO GORDINHO FOFO

Bem vinda ao clube... heheheh.
Pelo menos demonstra que tem bom gosto.
26.03.09 @ 20:39
Comentário de: Bruno O'Fischer [Visitante] · http://noitesquecida.multiply.com
Patologias sígnicas arrolam deixando-nos em situação de total desconforto. A pós-modernidade é algo quase sem acordo entre filósofos e sociólogos que preferem dizer que permanecemos na modernidade, quiçá, no auge do projeto moderno. Os únicos que estão em acordo dizem com toda a certeza em que época vivemos. Um viva para a proclamação dos astrólogos: estamos na era de aquário!
Mas eis que me surpreendo com algo tão arcaico quanto um piscinano (e nesse caso referimo-nos à era de peixes, não aos seres que vivem naquela sua piscina suja de água verde que você largou por não ter verba para manutenção), imagine só alguém tão recalcado para imaginar que os seres contemporâneos poderiam codificar signos em tempo suficiente para evitar um cataclismus fatidicus. Bem apontou o Sr. (ae velhote) Fransmar ao citar a superrotulação (agora com a nova gramática) do mundo. Em breve nossos corpos terão sinais de trânsito próximo a pontos estratégicos (fico imaginando em quais lugares hão de figurar o famoso “entre com cuidado” ou quem usaria aqueles simpáticas placas com animais). Retomando o célebre estudo de caso de nosso amado filósofo tupiniquim, o WC (seria Wellington Camargo?): na pressa de livrar-me dos fluídos cheios de amônia resultantes da primeira leva do princípio etílico interiorizado, uma marcha acelerada rumo ao WC me colocou num entrave: não havia placas ou nomes! Que coisa arcaica! Naquele momento eu precisa até de uma placa dizendo “Está é a pia, o sanitário é aquele ali ó”, mas não havia nem sinal de um boneco palito com ou sem saia. Reparei prontamente que a parede do recinto era rosada e pensei em todos aqueles alunos que vivem de camisetas e bonés cor de rosa. Que WC seria aquele? De mulheres ou manos pós-modernos (“aquarianos” evitaria discussões, mas quem realmente quer evitá-las?)??? A salvação do cataclismo ocorreu quando percebi um barbado saindo do recinto. Ah, era lá mesmo! Após consumado o fato, uma análise semiótica do ambiente permitiu que eu percebesse que o recinto de luzes apagadas ao lado tinha as paredes azuladas (i.e. um mictório). O dono da pizzaria deveria ser um cara muito recalcado... Ele tem sorte de ter sido eu a passar por tamanho embaraço, pois outro muito bem poderia dizer: pinta essa porra de amarelo e tira o nome pizzaria pra ver se alguém entra!
02.04.09 @ 16:42
Comentário de: Laurinha [Visitante]
Frans... Pior uma maiga minha... estávamos no terreo e apertei o botão do elevador. Ela: "Gente... mas como o elevador sabe se agente está em cima ou embaixo?". Sem comentários... teve aqueles 5 seg de silêncio para análise da frase dita...
22.07.09 @ 21:18

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