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ouriçada
Fui à casa do meu namorado hoje. Ele teve que sair para cortar o cabelo e eu fiquei lá, com a avó dele.
Na minha viagem à África do Sul, comprei alguns tecidos para costurar no Brasil. Comecei a fazer uma bolsa, a mão, mas que não resistiria aos pesos do dia-a-dia. Pedi então que a avó dele passasse a protobolsa na máquina de costura e ela foi com toda a boa vontade das avós (tenho a teoria de que ser avó é o estágio máximo que uma mãe pode chegar; é tão raro encontrar avós-negação).
Em seguida, ela foi fazer um bolo. Fiquei ao lado, dando alguma assistência aparente, embora eu saiba que ela só me pedia para encher a xícara com açúcar para eu não me sentir inútil. Comecei a observar a calma e a confiança que ela tinha naquela receita. E lembrei-me de toda e qualquer tentativa culinária minha. O desespero em quebrar ovos, pegar isso, aquilo, aaah, pré-aquece o forno, fermento, CADÊ O FERMENTO?!, pega o açúcar, OK, SEM FERMENTO TUDO TERÁ SIDO EM VÃO, põe o leite, ACHEI!.
Veio-me à mente algum documentário sobre animais, cuja dublagem desanima qualquer humano. Um sobre porco-espinhos e seus acasalamentos de risco. Dados estatísticos de mortes entre os ouriços mais jovens. Na hora do acasalamento, a fêmea se assusta, se arma, fura o macho. As mais velhas, acostumadas, não têm esse comportamento de viúva-negra (vide outro documentário sobre animais).
Quero envelhecer alguns anos quando entrar na cozinha para tentar alguma nova receita, quero a calma de porcos-espinhos maduros para parar de colocar em risco a vida (intestinal, sobretudo) dos que comem o que cozinho.



