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Amigos, amigos... desaforos à parte.

Pois bem atenienses, admito que este “causo” não aconteceu comigo. Até porque é muita desgraça pra um cristão só presenciar todos estes desaforos. Mas até que este foi bonitinho. Vamos aos fatos.
Tenho uma amiga, que é uma gracinha, professora de história, menina culta, esforçada, inteligente e faladeira – aliás, fala pelos cotovelos – que atende pelo nome de Daniela. A Dani (desculpem a intimidade) por sua vez, tem amigos que têm amigos, o que casualmente força a pobre coitada a conhecer algumas daquelas pessoas que, caso não resolvessem abrir a boca, passariam bem se despercebidas pela plebe. Aliás, esta estória de conhecer amigo de amigo nos leva a refletir sobre o processo seletivo que deveríamos ter com a malta que nos cerca, pois convenhamos, o sujeito que te apresenta uma criatura estapafúrdia que profere aleivosias ao “deus dará”, não merece consideração nenhuma e sequer ser chamado de amigo. Enfim, Deus sabe o que faz…

Dizia eu que uma amiga de um amigo da minha amiga (desculpem o texto repetitivo mas, depois desta, garanto que esta é minha menor preocupação) que a Dani teve a infelicidade de conhecer, tentou estabelecer contato com o mundo civilizado sem o sinal característico de “leve-me ao seu líder”, e resolveu despejar toda sua cultura e conhecimento sobre minha amiga de forma que esta veio a sofrer um processo neuropsíquico de pré-surto em virtude dos descalabros professados por outrem. Tomada pela angústia da não compreensão de tamanha ignorância, minha amiga Dani – de quem, em virtude desta como poderão perceber, não faço questão de conhecer os amigos – resolveu abrir o coração para este que vos escreve e assim, acabou por inspirar-me para castigar meu pobre teclado a fim de que possa compartilhar convosco (amigo é para essas coisas) estas mal traçadas.

Na tentativa de comunicação da referida quadrúpede (pois convenhamos novamente, se um bicho desses cair de quatro, morre pastando), papo vai, papo vem, chega o momento em que outrem sempre tenta invadir a privacidade de altrem, - doravante usarei “outrem” para a amiga do amigo e “altrem” para minha amiga (é um neologismo, sei disto, ambos significam, ou deveriam significar alguma relatividade aos outros. Ta, tentarei não ser prolixo), apenas para não encher o saco do leitor – e a pergunta fatídica surge como se fosse a coisa mais natural e original do mundo:

- Mas você faz o quê da vida ? – perguntou outrem.

A inocência da Dani fez com que ela respondesse a pergunta. Caso fosse uma menina pouquinha coisa mais experiente, saberia de pronto que a resposta causa sérios transtornos quando respondemos que somos professores, ou mais ainda, quando somos professores humanistas. No primeiro caso, a pergunta indefectível vêm emendada : Ahh … mas você não trabalha ? Só dá aula ? O que geralmente nos faz morder a língua para conter uma resposta que os seres civilizados não veriam com bons olhos e a vontade de encaminhar outrem para a, perdoe Vinícius, tonga da mironga do kabuletê; enquanto um fio de suor gelado escorre pela espinha.

Não. Dani não possui tamanha malícia e, gentil, respondeu: Sou professora.
Como este questionamento é pertinente ao segundo caso, a reposta de Dani imediatamente atiçou a curiosidade de outrem que lascou: De quê matéria?
Ao que Dani, sempre amável, elucidou: História.

Pronto. Os pré-requisitos para uma malfadada peripécia executada por aqueles que normalmente tem plena certeza do que dizem, estavam firmemente alicerçados na mente maligna de outrem.

Disse a donzela:

- Que legal! Eu assisti um filme ótimo, baseado em fatos históricos, e amei! Você deve ter assistido também. Pirebou.

É isso mesmo. Não há erros de digitação – pelo menos nessa palavra – e Dani encontrava-se frente a frente com o maior mistério de toda a História: Pirebou.

Para que não restem dúvidas, vou soletrar (como se fosse possível!) e peço aos gentis atenienses que tenham paciência e imaginação para ler, vagarosamente, com muita ênfase e sonorizar, até onde se pode, cantadinho.

P – I – R – E – B – O – U .

Dani, neste momento, já bege, questionou outrem de forma que pudesse superar os limites de sua própria ignorância e elucidar o caso.

- Que filme é esse?

Novamente, como já mencionei mais de uma vez, surgiu nos lábios da referida moça aquele sorriso de “eu seeeei, você não saaabe”, que esclareceu finalmente sobre o que tratava a obra citada.

- Aquele filme sobre a segunda guerra, quando os japoneses atacaram as forças americanas no Hawai… com um monte de avião que se jogavam nos barquinhos…

Já sabem o nome do filme?

Pearl Harbor.

Agora, fala se eu mereço.
Este site vai acabar virando um divã. Só compartilhando mesmo.

por Fransmar
23.01.09. 21:09:05. 828 palavras, 400 visualizações. Categorias: Crônicas do Mundaréu, Críticas Mundanas e Situações Inusitadas , 15 comentários »Envie um trackback »

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15 comentários

Comentário de: Juliana Rodrigues [Visitante]
Fransmar, me conta o que a sua amiga fez... Eu, particularmente, não sei se conseguiria ser tão educada ao ponto de não ter uma crise de riso ou de pedir licença e deixar o ser falando sozinho.
Mas pense no lado bom, pelo menos a donzela, como você disse, descreveu Pearl Harbor... Imagine-a agora descrevendo "Cartas de Iwo Jima", por exemplo.
24.01.09 @ 10:28
Comentário de: Fransmar [Membro] Email
Bom Ju... a princípio, já foi um sacrifício ela terminar de contar a estória uma vez que não conseguia parar de soluçar (de tanto rir). Não sei se ela conseguiu conter o riso diante da moçoila mas, como você, em virtude desta minha personalidade absolutamente discreta e contida, eu não conseguiria.
Quanto às cartas, não quero nem imaginar. Já me bastam os casos verídicos que acontecem de verdade mesmo (só para não perder a chance). Aguarde o próximo post. Será de emplacar.
25.01.09 @ 10:29
Comentário de: Andre [Visitante] · http://www.omesmoqueoseu.com
Me Desculpe por ter te apresentado o Rubens...
25.01.09 @ 16:55
Comentário de: Paloma [Visitante]
Ah, vai, as frescuras da "Pomba" são mais bonitinhas e toleráveis do que esse ser alienado descrito em mais um de seus peculiares posts.
26.01.09 @ 03:42
Comentário de: Fransmar [Membro] Email
defendendo a homonima... que coisa feia.
26.01.09 @ 07:55
Fran.... ah, o que que é isso, pelamordedeus??
Não existe possibilidade de não rir diante de tal acontecimento. Até que ponto será que a que a amiga "culta" conhece os acontecimentos históricos e algumas palavrinhas do estrangeiro?? Não, não é necessário curso de idiomas, apenas o famoso semancol...
26.01.09 @ 13:04
Comentário de: Gabriela [Visitante]
Ah! Mentira! Fala sério! E a sua amiga não perguntou se ela queria umas aulas particulares?! ashuashuasashuashuHUASHUASHUASHUASHUAS...
26.01.09 @ 14:37
Comentário de: Roliulde [Visitante]
HAHAHAHAHAHA!
Sempre tem alguém que solta uma dessas e que dá vontade de sair correndo do lugar, ou então de procurar outra pessoa pra conversar (ou não), mesmo que não tenha mais ninguém. Eu poderia citar varios exemplos aqui dessas situações se eu tivesse uma memória que colaborasse comigo pelo menos um pouco.
26.01.09 @ 18:45
Comentário de: Gabriela [Visitante]
Uma curiosidade: vc disse que a sua amiga era inocente por responder de modo tão claro a pergunta, pois bem senhor nada inocente, o que vc responde quando te perguntam o que vc faz da vida!?
26.01.09 @ 21:59
Comentário de: Laura G. P. [Visitante] Email · http://loucaporbicho.blogspot.com
Pobre Dani, ela sempre tem uma história para contar. Mar é realmente difícil suportar desaforos para manter a classe e postura, se bem que nesse caso ela poderia ter tirado um sarro da cara dessa pessoa folgada perguntando se essa ja havia estudado antes, ja que não sabia da profissão professor!
27.01.09 @ 15:28
Comentário de: Cesar [Visitante]
Pois é!

P I R E num causo desses... e.... B O U
28.01.09 @ 16:46
Comentário de: Danielle [Visitante]
Nossa fico imaginando a Dani em uma hora dessas. ahuahuahua aiaiai
29.01.09 @ 20:09
Comentário de: Livia (preta) [Visitante]
Ah Fransmar, isso não foi nada!!!poderia ser muito pior! Imagine se essa pessoa não estivesse falando com a professora e sim com o nosso amigo LB? A história do cinema não seria a mesma!huhuaauhuahua
Bjussss
08.02.09 @ 22:42
Comentário de: Fransmar [Membro] Email
É preta... o LB é um caso a parte...
Depois da famigerada Dança da Cicuta, não quero nem imaginar o que sairia daquela cabecinha...
09.02.09 @ 19:14
Comentário de: Pedro Cordeiro de Almeida [Visitante]
G-Zuiz !

pirebou é crime !

se eu tivesse no momento que falaram isso eu teria saído de perto pra rir, pq pelo amor de deus, cara desse num existe !! xD
16.02.09 @ 23:26

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