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Juninidades

Por incrível que pareça, nosso calendário ainda conserva resquícios da cultura grego romana, como o nome dos meses por exemplo; Junho, ou o mês de Juno, a deusa, ciumenta e pentelha que atormentava a vida do grande Júpiter – ou Zeus – e que fazia questão de transformar a vida daquelas gentis senhoras que, iludidas pelas promessas divinas de ‘você é a única’ e ‘vou largar tudo pra ficar com você’, se entregavam à volúpia do senhor do Olimpo (tinha Olimpo para os romanos?) e depois sofriam as conseqüências por terem provocado a ira da “dona da pensão” sem contar o “bacurinho” berrando no colo. Hércules e Alcmena que o digam.
Mas porque fui eu falar nos deuses…? Ah.. Lembrei. Junho, mês das famosas festas juninas, que não sendo dedicadas a Juno, celebram três (na realidade quatro) dos maiores santos da igreja católica. Santo Antonio de Pádua (ou de Lisboa, tanto faz) São João, dito “O Batista”, e São Pedro e São Paulo, estes últimos nunca se bicaram trocando entre si perfídias, que preferimos não comentar, até o martírio e a morte. Literalmente entre a cruz e a espada. (será que é daí que vem a expressão?)
Pois bem… me perdi de novo. Ah… sim.
Em virtude da comemoração dos grandes santos, um trauma me persegue desde a infância.
Não é segredo para ninguém meu passado religioso, minha educação deveras “carola” e, segundo um grande amigo que enverga as dignidades sacerdotais, a algum tempo, antes de minha ruptura com a igreja (não com Deus! Insisto. Não SOU ATEU), eu andava “fedendo incenso”.
Mas vamos ao trauma. Sempre que junho se aproximava, lá ia eu (nossa… dá até um refrão de sambinha… ou pagodinho chulo: LÁ IA EEEUUUU… LÁ IA EAAAAA… LÁ IA EUUUU… LÁIA LÁIAAAAA. – Isto comprova minha teoria de que não precisa ser nenhum gênio para ser compositor de pagodes. O mesmo se aplica ao Funk e ao Axé) tirar o pó da túnica pois, com exceção da vez em que fui o “Repórter Vesgo” e da outra em que tive de interpretar “Don Vito Corleone”, eu sempre fui o padre.
Remexendo em minha caixa de memórias, eis que encontro uma foto do pseudo casamento de meu irmão cabeçudo. Aquele que minha mãe ganhou no bingo da igreja.

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Neste dia glorioso, família reunida, todo mundo com a boca cheia de paçoquinha, a tia velha reclamando que um pedaço da ponte ficou grudada no pé-de-moleque… aquela coisa toda… voltando, neste dia glorioso, resolvemos sair os três distintos cavalheiros da foto para aquela famosa “compra de emergência”. A mãe da noiva havia notado a falta de alguma coisa que não me ocorre à lembrança (canela, cravo, pinga, gengibre… aquelas coisas que tem em toda festa junina e que ninguém lembra de comprar até que se dê falta) e lá vamos os três até o mercadinho e a padaria em busca do pedido de Sinhá.
Fato é que fomos fantasiados. Pior fica quando percebo que a padaria é na frente da igreja do bairro. Ainda pior pois a missa estava para começar.
Atenienses… essa vida de sacerdote não é fácil. O que teve gente passando na porta do estabelecimento, apontando para dentro e gritando: - “Olha o padre tomando cerveja…” – não estava no gibi. Teve um jagunço que até veio beijar minha mão, e eu ainda fiz questão de lembrar-lhe a muito não o via no confessionário. É só botar um terninho preto com uma camisa clerical que você já vira o centro das atenções.

Possívelmente o bispo regional deve ter recebido alguma reclamação sobre o padre que estava rindo no boteco e tomando cerveja com dois “capiaus”.
Ué… Também sou filho de Deus…

P.S. - Dona Ana Paula jura que um padre desses é um “desperdício"… Sorte dela. Também te amo.

por Fransmar
22.06.08. 15:27:24. 688 palavras, 251 visualizações. Categorias: Causos de Família - Reflexões Pessoais, Crônicas do Mundaréu , Deixe seu comentário »Envie um trackback »

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